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A Indústria da Guerra

De acordo com a publicação de Abril de 2026, do Stockholm International Peace Research Institute [1], em 2025 foram gastos 2,5 milhões de milhões de euros pela indústria militar [2]. Este valor confirma a tendência crescente em gastos com o sector militar, de forma consistente, durante os últimos 11 anos, em todo o mundo. O gasto militar global de 2025 cresceu cerca de 2,9% em relação a 2024, é o nível mais alto de sempre registado e representa cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto mundial.

De acordo com organizações e agências internacionais como a Organização das Nações Unidas, o Programa Alimentar Mundial, o Banco Mundial, o Fundo Global de Combate à SIDA, Tuberculose e Malária, o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, em cada ano, seriam necessários:
  • 28–46 mil milhões de euros, para acabar com a fome mundial;
  • 90–180 mil milhões de euros, para garantir água potável e saneamento global;
  • 100 mil milhões de euros, para universalizar a educação básica e secundária globalmente;
  • 90–180 mil milhões de euros, para obter saúde básica global;
  • 90-180 mil milhões de euros, para controlar fortemente ou praticamente eliminar as principais doenças tratáveis;
  • 260-520 mil milhões de euros, para investigar novos tratamentos e curas para doenças ainda sem cura ou tratamento;
  • 700 mil milhões de euros, para garantir a transição energética global.
Para colocar estes valores em perspetiva, por exemplo, se a atual população mundial com carências alimentares e fome se mantivesse ao longo dos anos, o valor que foi gasto com despesas militares globais em 2025, seria suficiente para garantir que nenhum ser humano passaria fome, durante 50 (cinquenta) anos!

Usando os limites superiores de cada um dos intervalos de custos estimados, os sete pontos acima indicados totalizariam 1,9 milhões de milhões, por ano, o que representa cerca de 76% do que foi gasto com a indústria militar, só em 2025! Ou seja, ainda sobrariam cerca de 600 mil milhões de euros, do que foi gasto com despesas militares, todos os anos.


Alguns dirão que o investimento militar é importante, para garantir a segurança das populações. Defendem que, as situações de sofrimento extremo aumentariam, caso os países não estivessem nesta constante corrida ao armamento, como forma de garantir a sua segurança. Todavia, perante a quantidade crescente de investimento na industria da guerra, será que podemos mesmo afirmar que o Mundo é, hoje, um lugar mais seguro do que que era há 10 anos? O investimento na guerra tem, de facto, salvaguardado a segurança das populações ou tem tornado as suas vidas ainda mais descartáveis e vulneráveis? Não será verdade que esse crescente investimento na guerra tem contribuido, de forma indelével, para uma "segurança" cada vez mais volátil, imprevisível e efémera?

Como é evidente, do ponto de vista prático, a execução de nenhum dos sete pontos acima indicados dependeria só do dinheiro. Nenhuma daquelas medidas seria de aplicação imediata ou de fácil execução. Além disso, exigiriam recursos humanos e logísticos disponíveis, apesar dos seus custos já se encontrarem previsto nos valores acima indicados. Mas, do simples ponto de vista matemático, é inegável que os recursos existem!

É certo também que, mesmo que todas essas medidas fossem implementadas, o sofrimento não deixaria de existir. Seria ingénuo se pensássemos que, resolvendo problemas como a fome, a educação e a saúde, deixássem de existir maus tratos a crianças, abuso sexual, violência contra idosos e um sem número de outras situações de dor e sofrimento, que existem hoje. No entanto, não deixa de ser um desafio interessante considerar a quantidade do atual sofrimento que poderia ser eliminado, com a aplicação dessas medidas, para as quais os recursos evidentemente existem. Esta redução no sofrimento seria evidente, não só pelo desinvestimento na guerra e o desaparecimento progressivo das consequências da mesma, como pelos efeitos positivos do investimento em áreas de absoluta necessidade de desenvolvimento. 

Infelizmente, é mais fácil, "assobiar para o lado" e responsabilizar Deus pelo mal e sofrimento no mundo, do que encarar os factos. Também é mais simples alegar que a existência desse mal e sofrimento deixa claro que um Deus bom e Todo-Poderoso não pode, sequer, existir. Seria, por outro lado, bastante mais honesto reconhecer que o mal e sofrimento que existem no mundo têm um só causador: o Homem! E não só isso, mas que a própria solução para, pelo menos, uma larga fatia desse mal e sofrimento está nas suas mãos!

Esta realidade obriga a desconstruir versões romantizadas da bondade humana, do altruismo humanista e da nobreza do espírito humano, como se se tratasse de uma realidade comum e abundante. Não, o Homem não é inerentemente bom. E os resultados estão à vista! Textos como Romanos 3:10-12 - "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." e Romanos 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" deixam bem claro de que lado está a culpa do estado do mundo em que vivemos.

O que aconteceria ao mundo, por exemplo, em 10 anos, se dois terços do orçamento militar anual fossem transferidos para o desenvolvimento global, nas áreas acima indicadas e em outras?

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[2] De acordo com a Escala curta (usada nos EUA e cada vez mais comum em contextos financeiros e tecnológicos): 1 trilhão (trillion) = 1 milhão de milhões = 10¹². Valor convertido de dólares para euros.

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