Na década de 80, na América do Norte, surgiu a campanha “No means no!”, como forma de reforçar a consciência coletiva para a necessidade de existir consentimento, no contexto das relações sexuais. A campanha visava lutar contra as frequentes situações de violência sexual, normalmente do homem, para com a mulher. Passados alguns anos, percebeu-se que enfatizar a vocalização do “não” era não só insuficiente, como colocava uma pressão e responsabilidade sobre a mulher, que contribuíam para a manterem vulnerável. De facto, nem sempre a vítima consegue expressar a sua vontade de forma audível e clara, particularmente em situações de pressão, coação ou até agressividade. Perante algumas posturas masculinas frequentes, é fácil a mulher não conseguir deixar claramente expressa a sua vontade. Assim, a partir dos anos 2000, passou a enfatizar-se que só se deve considerar que o consentimento é dado mediante um claro, inequívoco e livre “sim” (aceitação, concordância, anuência). Tudo o que nã...