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A nação de Israel e o "povo de Deus" não são a mesma coisa

Sempre achei estranha uma certa obsessão de alguns cristãos, pela nação de Israel, ao defenderem que esse país é o "povo escolhido de Deus". Com base em algumas passagens proféticas do Antigo Testamento, defendem fervorosamente que "Deus ainda tem planos para Israel", identificando o "Israel" do Antigo Testamento com o atual Estado de Israel. A partir desse pressuposto, muitos parecem defender que todas as ações de Israel são justificadas, necessárias e proporcionais, uma vez que se enquadram no plano de Deus para os "últimos tempos".

A título de exemplo, aqui estão algumas citações de cristãos sionistas [1] proeminentes, as quais ilustram o decalque do conceito de "povo de Deus" do Antigo Testamento, no atual Estado de Israel:

  • John Hagee
    • “Eu fui a Israel como turista, mas voltei como sionista.” [2]
    • “Deus abençoará aqueles que abençoarem Israel.” [3]
    • “Os judeus não podem ser salvos através da crença em Jesus como Messias.” [4]
    • “Deus usa a perseguição do povo judeu para os levar de volta à sua terra.” [5]
    • “Israel não precisa de justificação humana; a sua existência é uma ordem divina.” [6]
    • “A nação de Israel hoje é o cumprimento da promessa de Deus a Abraão.” [7]
  • Hal Lindsey
    • “A geração que viu o renascimento de Israel verá o cumprimento de todas estas coisas.” [8]
    • “O restabelecimento de Israel é o maior sinal do fim dos tempos.” [9]
    • “Cada guerra envolvendo Israel é um sinal de que o fim está próximo.”[10]
  • Tim LaHaye
    • “Israel desempenha um papel central no plano profético de Deus.” [11]
  • Jerry Falwell
    • “Acredito que Deus abençoa a América por causa do seu apoio a Israel.” [12]
    • “Israel é a chave para compreender a política mundial.” [13]
    • “A causa palestiniana não é uma luta política legítima.” [14]
    • “Devemos apoiar os líderes israelitas porque fazem parte do plano de Deus.” [15]
    • “Deus continua a ter um plano especial para o povo judeu através do Estado de Israel.” [16]
  • Pat Robertson
    • “Dividir Israel é dividir a terra de Deus.” [17]
    • “Deus pode trazer desastre sobre uma nação que divide Jerusalém.”[18]
    • “Aqueles que se opõem a Israel estão a opor-se ao plano de Deus.” [19]
  • Mike Huckabee
    • “Não existe tal coisa como Cisjordânia — é Judeia e Samaria.” [20]
    • “O direito de Israel à terra vem de Deus, não de resoluções da ONU.” [21]
    • “Não existe tal coisa como o povo palestiniano historicamente.” [22]
    • “Israel tem um título bíblico sobre a terra.” [23]
    • “Israel não é apenas uma nação política, mas o povo escolhido de Deus.” [24]
  • Robert Jeffress
    • “Deus deu a terra de Israel ao povo judeu. Esse direito é eterno.” [25]
    • “A nação de Israel hoje está diretamente ligada ao plano de Deus.” [26]
  • David Jeremiah
    • “Israel é o relógio profético de Deus.” [27]
  • John Walvoord
    • “Israel ainda tem um papel futuro no plano de Deus, distinto da Igreja.” [28]
  • Charles Ryrie
    • “A Igreja não substituiu Israel no plano de Deus.” [29]
  • Mike Evans
    • “Israel é a única nação criada por um ato soberano de Deus.” [30]
  • Paula White
    • “Israel é o centro dos propósitos de Deus na Terra hoje.” [31]
É certo que nem todos os cristãos sionistas militam esta causa com igual intensidade ou com as mesmas implicações práticas. De facto, existem nuances no cumprimento das referidas profecias que fazem variar o grau de expectativas e a natureza desse cumprimento, mesmo entre os defensores de que Deus ainda vai concretizar profecias relativas a "Israel". A constituição do estado de Israel, em 1948 é, para muitos, um desses momentos de cumprimento. Muitos também defendem que o Templo de Jerusalém ainda será reconstruído, o sacerdócio e os sacrifícios de animais serão restaurados e alguns acreditam num reino milenar de paz, em que Cristo governa, a partir de um trono, na atual cidade de Jerusalém. Existe uma tal abundância e variedade de abordagens e posturas dos cristãos que assim pensam, que, no âmbito deste artigo, nem tudo se aplicará a todos eles.

Considero que tive a felicidade de ser exposto a posições mais conciliadoras entre as expectativas proféticas criadas no Antigo Testamento e as revelações expresas e concretizadas no Novo Testamento. Ou seja, a maior parte do ensino que recebi aponta para o povo de Israel ter sido usado por Deus como canal e ferramenta da Sua revelação e para, em última análise, dele vir o Messias. Nesse quadro, a finalidade e propósito desse povo completou-se e concluiu-se com o aparecimento do Messias. Já não há mais "pontas soltas", para aquele povo. Algumas profecias do Antigo Testamento, sobre Israel ou sobre o "povo de Deus", já se cumpriram (por exemplo, com os regressos dos cativeiros Assírio e Babilónico), outras cumprem-se em Jesus (como se vê, abundantemente, na carta aos Hebreus) e outras estão a ter e ainda terão o seu cumprimento na Igreja (como ilustra, por exemplo, a realidade na "nova Jerusalém" referida no Apocalipse).

O ensino bíblico a que fui exposto e que tenho vindo a adquirir não prevê que Deus tenha dois povos (Israel e a Igreja), mas integra todos (Judeus e gentios) num mesmo novo povo - a Igreja (Gálatas 3:28: "Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."). Quando Paulo escreve aos Efésios, referindo-se aos gentios e aos Judeus, deixa claro que Deus "de ambos os povos fez um" (Efésios 2:14). Este mesmo ensino não prevê uma restauração política e militar de um Estado, com fronteiras geográficas, tal como, curiosamente, também esperavam os judeus, no tempo de Jesus (Lucas 24:21; João 6:15; Atos 1:6). Esta linha doutrinária também não se revê numa reconstrução de um Templo de pedras e cimento, na restauração do sacerdócio humano, nem na retoma do sistema sacrifícial de animais, porque todas estas coisas eram figuras de realidades já plenamente concretizadas em Cristo. Além disso, esta posição não trata a nação A, B ou C como privilegiada, uma vez que o plano que Deus ainda tem (e sempre teve) é para todas as tribos, povos e nações! Não digo que estas coisas não possam vir a acontecer. Simplesmente não as entendo como o cumprimento de quaisquer profecias, nem de "acordo com o plano de Deus". 

Durante algum tempo, passei ao lado deste assunto do sionismo cristão, por considerar que era inofensivo e inócuo. Não o considerava biblicamente sólido, mas parecia-me que, se alguns quisessem ter um "país de estimação", também não viria mal algum ao mundo. Enganei-me! Assim que essa corrente chega a níveis e esferas que lhe permitem influenciar a tomada de decisões, a nível mundial, ficam evidentes os elevados estragos que este grande equívoco alimenta. Admito que nem todos os cristãos sionistas concordarão com tudo aquilo que tem sido levado a cabo, do ponto de vista militar e político, a coberto dessa maneira de pensar. Mas a semente de uma certa simpatia servil, para com este Israel atual, que lhe dá "carta branca" em quase todos os cenários, está lá.

Em tempos recentes, tem ficado cada vez mais evidente a forma desavergonhada como o Estado de Isreal se tem servido, manipulado e usado dessa simpatia e subserviência da corrente cristã sionista, para concretizar os seus propósitos políticos, estratégicos, económicos e militares. Se é certo que Israel, como qualquer outro Estado, tem direito à sua existência e à salvaguarda da sua segurança e integridade, também é certo que, frequentemente, tem ido muito para além do estritamente necessário para alcançar esses objetivos, com situações militares desproporcionais, ilegais, imorais e sem o aval da maioria da comunidade internacional.

Não me proponho, com este texto, entrar em debates e argumentações de natureza política, geoestratégica ou militar. O meu maior propósito, em relação a este assunto, é lançar alguma luz sobre o facto de que os argumentos bíblicos não dão suficiente base para sustentar um dos principais pressupostos da corrente sionista cristã: que o atual Estado de Israel e o "povo escolhido de Deus" são uma e a mesma coisa. Naturalmente, não tenho a ilusão de resolver esta polémica, nem eliminar todas as dúvidas e questões. O meu objetivo é deixar uma limitada contribuição para o debate, recorrendo a um conjunto de argumentos bíblicos que não foram originalmente compilados por mim.

Há algum tempo, encontrei uma lista de mais de 70 razões bíblicas, para não se defender que o atual Estado de Israel é a mesma coisa que o "povo de Deus" (referido no Antigo Testamento como "Israel"). O texto indicava que o seu autor é Sérgio Jesus Villarroel, que não conheço, nem contactei. Revi o seu texto, introduzi algumas (pequenas) alterações e partilho-o aqui de seguida.


RAZÕES BÍBLICAS PELAS QUAIS O ESTADO MODERNO DE ISRAEL NÃO É O POVO ESCOLHIDO DE DEUS

Adaptado a partir do texto de Sergio Jesus Villarroel

A promessa e as suas condições

  • A bênção foi dada a Abraão, mas Jesus disse aos líderes de Israel do seu tempo que eles não eram filhos de Abraão (João 8:39–44).

  • Muito antes de Israel existir, Deus já mantinha relacionamento com a humanidade — de Adão até Abraão. O seu plano nunca foi exclusivo (Génesis 1–11).

  • Deus estabeleceu Abraão como pai de muitas nações, e não de um único estado, povo ou país (Génesis 17:5).

  • A verdadeira descendência de Abraão é Cristo, e nele todas as nações da terra são abençoadas (Gálatas 3:16).

  • Apenas os que têm fé em Cristo são filhos de Abraão (Gálatas 3:7).

  • Os descendentes de Abraão não são "segundo a carne", mas segundo a promessa (Romanos 9:8).

  • O Israel antigo — distinto do Estado de Israel atual — recebeu a promessa da terra de Canaã, mas essa promessa era condicional (Levítico 18:26-28; Deuteronómio 28:1–2, 15, 63-64; 30:15-20; Josué 23:15-16; Jeremias 7:5-7; Ezequiel 36:17-19).


Israel rejeitou o Messias e os profetas

  • João Batista advertiu que o "machado já estava posto à raiz da árvore" e exortou-os ao arrependimento (Mateus 3:10).

  • Quando Jesus amaldiçoou a figueira — símbolo de Israel — amaldiçoou-a e declarou que nunca mais daria fruto (Marcos 11:14).

  • Ao sair do Templo, Jesus declarou: “Eis que a vossa casa ficará deserta” — não “a casa de meu Pai”, mas a vossa casa (Mateus 23:38).

  • Israel perseguiu, rejeitou e matou os profetas (Mateus 23:37).

  • O próprio Moisés disse que Deus levantaria um Profeta — Jesus — e que quem não o ouvisse seria eliminado (Deuteronómio 18:18–19; Atos 3:22–23).

  • Um povo que rejeitou o Messias já não pode reivindicar a eleição divina (Mateus 21:42-43).

  • A vinha originalmente confiada a Israel foi entregue a outros trabalhadores — estrangeiros — porque mataram o Messias e seriam punidos sem misericórdia (Mateus 21:41).

  • Deus tirou a Israel o estatuto de seu povo por causa da sua maldade e deu-o a uma nação que "produz frutos" (Mateus 21:43; cf. v. 41).

  • Os judeus aceitaram receber sobre si e sobre os seus filhos, as consequências da rejeição e morte do Messias (Mateus 27:25).


O Templo e o Sacerdócio caíram para sempre

  • Jesus profetizou que não ficaria pedra sobre pedra do templo — e assim aconteceu. Hoje ninguém sabe, com precisão, onde o templo original se encontrava, nem, consequentemente, onde ficava exatamente o Santo dos Santos (Mateus 24:2). [32]
  • A "reconstrução" do Templo profetizada por Jesus é em relação ao seu próprio corpo (João 2:19-21; I Coríntios 12:27).
  • Nada resta do templo de Herodes; o chamado “Muro das Lamentações” é na realidade parte do grande muro de contenção que sustentava a plataforma expandida do Templo de Jerusalém (Lucas 21:6).
  • Quando Jesus morreu, o véu do templo rasgou-se — sinal de que o sistema sacrificial e sacerdotal tinha terminado, sendo substituído pelo sacrifício de Cristo (Mateus 27:51; Hebreus 10:18).

  • Deus não habita em templos feitos por mãos humanas (Atos 7:48–49).

  • O verdadeiro templo é Cristo. Além disso, desde 586 a.C., o Israel antigo está sem a Arca da Aliança, sem a Shekinah ("habitação" ou "presença" de Deus) (João 2:19–21).
  • O verdadeiro templo agora é espiritual, edificado com pedras vivas (1 Pedro 2:5).

  • Israel nunca poderá legitimamente restaurar o sacerdócio, porque ele foi substituído pelo sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7:11–12; 8:1).

  • Se tentassem restaurar o sacerdócio, violariam a sua própria lei, porque faltam sacerdotes com genealogias comprovadas (Esdras 2:62; Neemias 7:64). [33]


O tempo de graça de Israel terminou

  • Foi dito a Daniel que setenta semanas (490 anos) de graça estavam determinadas para Israel, começando com o decreto de Artaxerxes em 457 a.C. (Daniel 9:24).

  • O período indicado na profecia das 70 semanas de Daniel terminou por volta do ano 34 d.C. (apedrejamento de Estêvão - Atos 7:59).

  • Com o apedrejamento de Estêvão, surgiu a perseguição contra os cristãos em Jerusalém (Atos 8:1).

  • Saulo de Tarso converteu-se e foi chamado como apóstolo dos gentios (Atos 9:15).

  • Pedro confirmou que o evangelho também era para os gentios, na medida em que "Deus não faz acepção de pessoas" (Atos 10:34–35).

  • Assim, o tempo de graça de Israel como nação terminou. A salvação é oferecida a todos os povos (Mateus 21:42–45).


O Israel espiritual em Cristo

  • Agora, o Israel de Deus é espiritual e Cristo é a nossa Páscoa. Assim como a Páscoa no Egito marcou o nascimento do Israel físico, como nação de Deus, Cristo — a verdadeira Páscoa — dá origem ao Israel espiritual (1 Coríntios 5:7).

  • No Israel espiritual fundado por Jesus não há judeu nem grego, mas uma grande multidão de todas as nações, tribos, povos e línguas (Gálatas 3:28; Apocalipse 7:9).

  • A Jerusalém terrena, na Palestina, simboliza escravidão; em contraste, a Jerusalém do alto — a celestial — é livre e é mãe dos redimidos, assim como Sara foi mãe de Isaque, prefigurando a promessa cumprida em Cristo (Gálatas 4:25–26).

  • O verdadeiro povo de Deus não faz guerra contra outras nações, pois em Cristo não há espírito de hostilidade, mas de reconciliação (Efésios 2:14–16).

  • Cristo fez de judeus e gentios uma nova comunidade — pacífica, sem inimizade, nem guerra contra outros seres humanos (Efésios 2:15).

  • Cristo reuniu num só rebanho tanto os que eram deste aprisco como os que eram de outros, mostrando que, para Deus, raça, etnia ou linhagem não importam — apenas ouvir a voz do Pastor e segui-lo (João 10:16). [34]

  • O Cordeiro resgatou com o seu sangue pessoas de toda tribo, língua, povo e nação. Em Cristo já não existe um povo exclusivo, mas um povo universal composto por todos os redimidos (Apocalipse 5:9).

  • A mulher pura em Apocalipse representa a igreja fiel, não uma nação política deste mundo (Apocalipse 12:1).

  • A grande multidão vestida de branco não é Israel, mas todos os redimidos da terra (Apocalipse 7:9–10).

  • O evangelho eterno é para todas as nações igualmente, e o Novo Testamento nunca exalta ou privilegia uma nação específica (Apocalipse 14:6).


A salvação encontra-se somente em Cristo

  • Quem tem o Filho tem a vida; sem Cristo não há vida eterna, nem salvação, nem favor de Deus (1 João 5:12).

  • De acordo com a Bíblia, não existe salvação válida fora de Cristo (Atos 4:12).
  • Quem nega o Messias não pode ter o Pai (1 João 2:23).

  • A salvação não vem pela lei de Moisés (não confundir com a lei moral de Deus) nem por qualquer nação, mas exclusivamente pela graça, mediante a fé (Efésios 2:8–9).

  • A verdadeira circuncisão é do coração, não da carne (Romanos 2:28–29).

  • Paulo afirmou que estaria disposto até a ser separado de Cristo por amor aos seus irmãos israelitas segundo a carne — mostrando que aqueles que rejeitaram a aliança estavam sob condenação (Romanos 9:3).

  • Em nenhum lugar do Novo Testamento se afirma que Israel voltaria a ser o povo exclusivo de Deus; o plano é exclusivamente pela graça em Cristo (Romanos 11:20–23).


Rejeição dos falsos israelitas

  • Natanael foi chamado de "verdadeiro israelita" (João 1:47), o que implica que existem falsos israelitas (Apocalipse 2:9; 3:9).

  • Muitos judeus incrédulos foram cortados, e gentios em Cristo foram enxertados (Romanos 11:17–20) — mas existe apenas uma árvore (Efésios 2:14–16).

  • O Israel segundo a carne persegue o Israel segundo o Espírito, assim como Ismael perseguiu Isaque — e assim tem sido, e assim será (Gálatas 4:29). [35]

  • Por duas vezes o Apocalipse denuncia aqueles que “dizem ser judeus e não são, mas são sinagoga de Satanás” (Apocalipse 2:9; 3:9). Alguns estudiosos associam estes “judeus” do Apocalipse ao atual Estado de Israel.

O Reino é universal, não nacional

  • O evangelho devia sair de Jerusalém até aos confins da terra, dando testemunho de Jesus Cristo (Atos 1:8).

  • A Jerusalém prometida no Novo Testamento não é terrena nem política, mas celestial — aquela que desce do céu. Para Deus, a Jerusalém terrena não possui significado redentor (Apocalipse 21:2; Hebreus 12:22).

  • Deus não faz aceção de pessoas (Romanos 2:11; Atos 10:34).

  • Em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça é aceitável para Ele — e isso sempre foi verdade (Atos 10:35; Isaías 56:3–8).

  • Cristo é a pedra angular; qualquer projeto que o rejeite está fora do plano de Deus e será humilhado (1 Pedro 2:6–7).

  • A antiga aliança tornou-se obsoleta e deixou de existir; foi substituída pela nova aliança em Cristo (Hebreus 8:13).

  • O verdadeiro povo de Deus identifica-se por guardar os seus mandamentos e manter a fé em Jesus; a falta de qualquer destes elementos desqualifica-o (Apocalipse 12:17; 14:12). [36]

  • Deus não tem duas noivas, nem dois povos distintos. A Igreja — composta por judeus que aceitaram o Messias e gentios convertidos — é a única noiva de Cristo (Efésios 5:25–27; Apocalipse 21:2).

O Estado político e secular de Israel (fundado por David Ben-Gurion, em 1948) vs. O Israel espiritual fundado por Cristo

  • Os verdadeiros israelitas do passado não têm nada em comum com o Estado moderno de Israel (Romanos 9:6–8).

  • Deus não aprova nenhum genocídio — a morte em massa de seres humanos (Êxodo 20:13). [37]

  • Deus chama-nos a orar pelos nossos inimigos e a abençoar os que nos amaldiçoam (Mateus 5:44).

  • Os reinos deste mundo opõem-se a Deus; foram entregues a Satanás (Lucas 4:6), embora temporariamente, para cumprir propósitos divinos (1 Timóteo 2:2).

  • Jesus declarou: “O meu reino não é deste mundo.” Este deve ser sempre o nosso fundamento (João 18:36).

  • A vitória de Deus não vem por armas ou estratégias militares, mas pelo seu Espírito — e não pela força humana (Zacarias 4:6).

  • Cristo é a nossa Páscoa, inaugurando um novo reino — uma nova nação de sacerdotes — e não um estado político moderno (1 Coríntios 5:7).

  • Aqueles que afirmam ser judeus e não são serão expostos. “Judeu” aqui refere-se à identidade espiritual, não à identidade étnica ou religiosa (Apocalipse 2:9).

  • Um povo que rejeita justiça, misericórdia e humildade não pode representar Deus (Miqueias 6:8).


Resumo das profecias

  • Interpretações comuns de Isaías 66:8 (referindo-se ao regresso do exílio babilónico) e Ezequiel 38–39 (sobre a reunificação de Israel e Judá sob o reinado davídico) já se cumpriram na antiguidade, dentro do seu contexto histórico e profético original. Portanto, não têm ligação direta com a fundação do Estado moderno de Israel em 1948. [38]
  • O evangelho é para todas as nações (Apocalipse 14:6) — nunca para um estado político.

  • O verdadeiro Israel é espiritual, não físico na forma de um país ou estado (Romanos 2:28–29).

  • A grande multidão final inclui redimidos de todas as nações (Apocalipse 7:9).

  • O plano de Deus culmina na nova Jerusalém celestial — não num Israel terreno (Apocalipse 21:2).

 
__________________

[1] Sionismo cristão é uma posição, ideologia e crença religiosa compartilhada entre alguns grupos cristãos, principalmente protestantes evangélicos, de que o retorno dos judeus à Terra Santa, e o estabelecimento do Estado de Israel em 1948, estão de acordo a profecia bíblica. O sionismo cristão sobrepõe-se mas é distinto do movimento do século XIX pelo retorno dos judeus à "Terra Santa", que teve adeptos motivados tanto por convicções religiosas como políticas. O conceito de sionismo cristão popularizou-se em meados do século XX, substituindo o termo restauracionismo. Alguns cristãos sionistas acreditam que o ajuntamento dos judeus em Israel é uma condição escatológica para a Segunda Vinda de Jesus. Tal crença é principalmente, embora não exclusivamente, associada com o ramo teológico do Dispensacionalismo. A ideia e concepção de um retorno judaico à Terra Santa tem sido comum nos círculos protestantes desde a Reforma. Tal como os sionistas religiosos judeus, muitos cristãos sionistas acreditam que o povo de Israel é o povo escolhido de Deus, juntamente com os cristãos e gentios "enxertados" (Romanos 11:17-24). https://pt.wikipedia.org/wiki/Sionismo_cristão
[2] Discurso repetido em várias entrevistas e eventos públicos. Referência documentada em: Christians United for Israel (discursos e biografia); Citado em análises académicas sobre sionismo cristão.
[3] Base explícita em Génesis 12:3. Desenvolvido em: In Defense of Israel (2007).
[4] In Defense of Israel (2007). Declaração altamente debatida dentro do evangelicalismo por sugerir uma teologia de “duas alianças”.
[5] Ibidem.
[6] Sermões e livro In Defense of Israel (2007).
[7] In Defense of Israel (2007)
[8] The Late Great Planet Earth (1970).
[9] Ibidem.
[10] Ibidem.
[11] Are We Living in the End Times? (1999).
[12] Entrevista ao jornal The Washington Post (anos 1980). Citado em estudos académicos sobre religião e política nos EUA.
[13] Discursos e sermões documentados. Referido em literatura académica sobre evangelicalismo político.
[14] Entrevistas e declarações públicas (anos 1980–2000). Documentado em estudos académicos sobre religião e política nos EUA.
[15] Sermões e intervenções públicas (arquivadas em estudos académicos).
[16] Sermões e discursos (anos 1980–2000).
[17] Declarações públicas no programa The 700 Club.
[18] Ibidem.
[19] Ibidem.
[20] Declaração pública (2017). Amplamente reportada em meios como BBC e CNN.
[21] Discursos políticos e entrevistas. Documentado em cobertura jornalística internacional.
[22] Entrevistas na CNN e outros meios internacionais (2017).
[23] Entrevistas e discursos políticos públicos.
[24] Entrevistas e discursos públicos. Cobertura em meios como CNN e BBC (várias ocasiões durante campanhas políticas).
[25] Sermões e entrevistas públicas. Cobertura mediática (ex.: Fox News, Washington Post).
[26] Sermões públicos e entrevistas televisivas.
[27] What in the World Is Going On? (2008).
[28] Israel in Prophecy (1962).
[29] Dispensationalism (1995).
[30] Livros e discursos do Jerusalem Prayer Team.
[31] Sermões e declarações públicas (incluindo eventos na Casa Branca durante administração Trump).
[32] O Santo dos Santos, também conhecido como Lugar Santíssimo, era a câmara mais interior e sagrada do Tabernáculo de Moisés e, posteriormente, do Templo em Jerusalém. Representava a morada da presença manifesta de Deus (a Glória Shekinah) no meio do povo de Israel. Era uma sala cúbica (no templo de Salomão, media 10x10x10 côvados) separada do "Santo Lugar" por um espesso véu de linho. Abrigava a Arca da Aliança e o seu acesso era restrito: era proibido a qualquer pessoa entrar, exceto o Sumo Sacerdote, e apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kipur), para realizar o sacrifício pelos pecados da nação.
[33] Nos tempos antigos, o sumo sacerdote possuía enorme poder religioso e político. No Estado moderno de Israel, porém, a elite política dificilmente aceitaria um sacerdócio que partilhasse autoridade com ela. Assim, a ideia de um Terceiro Templo funciona sobretudo como símbolo religioso em certos círculos judaicos e serve também para sustentar as expectativas escatológicas do sionismo cristão, que aguarda a construção do Templo como cumprimento das suas próprias profecias.
[34] Efésios 2:14–16 - Cristo derrubou o muro de separação entre judeus e gentios, criando um só povo. João 10:16 - Cristo reuniu ovelhas de diferentes apriscos num só rebanho sob um só Pastor. Em conjunto: a obra de Cristo une todos os redimidos num só corpo, sem distinção de raça, etnia ou linhagem, porque Ele é a nossa paz e o Pastor de todos.
[35] Ismael simboliza os que confiam na carne e na lei (incluindo judeus que rejeitaram o Messias), enquanto Isaque simboliza os filhos da promessa — os que estão em Cristo (Gálatas 4:21–31).
[36] A fé sem obediência à lei de Deus (cristianismo nominal) é insuficiente, assim como a lei sem o Messias (judaísmo que rejeita Cristo) também é insuficiente.
[37] Alguns argumentam que o próprio Deus cometeu genocídio, citando eventos como o Dilúvio (Génesis 6–9), Sodoma e Gomorra (Génesis 19) ou a conquista de Canaã (Josué). Se adotarmos a definição moderna de genocídio (criada em 1944) — “a exterminação intencional, sistemática e deliberada de um povo, grupo étnico, racial ou nacional, total ou parcialmente, por razões ideológicas injustificáveis” — devemos reconhecer que este conceito surge de um quadro jurídico e moral estritamente humano. Por isso, é inadequado aplicar o termo “genocídio” sem distinção aos atos atribuídos a Deus, que, segundo a narrativa bíblica, são juízos soberanos em resposta a corrupção extrema, maldade irremediável ou rebelião persistente. Em contraste, genocídios cometidos por seres humanos — como ações de Israel em Gaza ou o Holocausto — não são juízos divinos, mas atos movidos por ódio, agendas políticas ou interesses económicos.
[38] Isaías 66:8 fala de uma nação “nascida num dia”, cumprido quando Israel regressou do cativeiro babilónico no século VI a.C. sob Ciro, o Grande, e Jerusalém foi reconstruída (Esdras, Neemias). Ezequiel 38–39 profetiza um conflito final e a reunificação espiritual de Israel e Judá sob um reinado davídico. Muitos estudiosos entendem isto como parcialmente cumprido na história antiga — especialmente após o exílio — ou como uma visão escatológica ligada à restauração espiritual.

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