24/06/2012

O crescimento do Reino

"Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; o qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos" (Mateus 13:31-32).

No modelo de oração ensinado por Jesus, somos instruídos a pedir que o seu reino venha até nós. Também durante o Sermão do Monte, Jesus orienta-nos a buscarmos primeiro o seu reino e justiça. Portanto, não há sombra de dúvida que este reino é algo absolutamente fundamental para a nossa existência. Mas, em concreto, de que se trata?

Podemos dizer que o reino de Deus ou o reino dos céus é o domínio de Jesus, o Rei, na nossa vida. Portanto, receber o seu reino é convidá-lo a exercer total autoridade sobre nós. De que forma é que isto acontece? Será através de um esforço consciente para sermos melhores do que temos sido? Será através da adoção e seguimento de um sistema religioso? Será através de algum tipo exercício místico de meditação?

A Bíblia dá a resposta quando, em João 1:12, aponta para o momento exato em que o reino de Jesus chega à nossa vida: é necessário recebê-lo. Receber este reino é uma atitude de rendição. Não receber é mantermo-nos subjugados e à mercê de um outro reino, o das trevas (Colossenses 1:13). Este constitui uma ameaça verdadeiramente destruidora, da qual seremos libertos no momento em que reconhecermos a nossa própria necessidade e permitirmos que o reino de Deus entre nas nossas vidas. Tudo isto acontece numa dimensão espiritual (Lucas 17:20-21).

Iniciado o reinado de Jesus nas nossas vidas, é altura de começar a crescer. Como o texto acima transcrito indica, apesar do seu início ser tão pequeno como uma semente, espera-se, naturalmente, que o seu crescimento aconteça. Se o solo da nossa vida for fértil e permitirmos que a planta cresça, é expetável que isso aconteça. Este crescimento significa, entre outras coisas, que vamos permitindo um crescente domínio de Jesus sobre cada área da nossa vida. Este domínio não existe para ficar limitado ou circunscrito a uma área, chamada religiosa, da nossa vida; não é para ser colocado em prática somente em momentos e locais chamados sagrados ou santos. Este domínio tem como propósito o controlo absoluto de toda a nossa vida, em todas as circunstâncias: no trabalho, na escola, nos tempos livres, nos pensamentos, nas ações, nas palavras, nas atitudes.

A ilustração do desenvolvimento de uma semente até se tornar numa árvore, aponta para um propósito progressivo da autoridade de Jesus sobre cada aspeto da nossa existência. Quando pensamos neste exemplo, percebemos que existe uma parte escondida, o sistema radicular, o que nos leva à conclusão de que há um crescimento que acontece no nosso íntimo, em comunhão com Deus e com a sua Palavra, através da qual extraímos o ensino vital. Este ensino tem, pela ação sobrenatural do Espírito Santo, um impacto profundo sobre as nossas convicções, pressupostos e princípios. Começando de forma invisível, no nosso interior, todos os nossos valores e prioridades são substancialmente modificados e reformuladas as nossas noções de ética e moralidade. É o novo nascimento, sobre o qual Jesus ensinou noutro momento, que nos permite fazer parte do reino de Deus (João 3:3).

Mas, tal como acontece com a árvore, espera-se que esse crescimento germine em algo visível. Ou seja, de uma semente, necessariamente, resultarão, para além da raiz, caule, ramos, folhagem e, naturalmente, fruto. Quando esta componente visível não existe, é legítimo questionarmo-nos se as raízes existirão, de facto.

Constatamos isso na vida de muitos que convivem com outros membros do reino, ouvem a mesma Palavra, usam a mesma linguagem, mas, mesmo assim, parecem não produzir quaisquer evidências de que tal reino exista. Mais, conheçamos melhor a vida destas pessoas longe do local de culto ou das reuniões da igreja e encontraremos evidências incompatíveis com os princípios do reino.

Quando estamos no nosso local de trabalho, nos nossos tempos livres, na nossa casa, com a nossa família ou a sós, que frutos produzimos? Que evidências do reino existem na nossa vida? Pedir que o seu reino venha a nós é dar-lhe a máxima prioridade; é colocarmo-nos em absoluta submissão, como fiéis súbditos, às ordens do Rei; é permitir que os interesses, objetivos e caminhos do reino passem a ser os nossos; é, consequentemente, abdicar dos nossos alvos, direitos, vontades, desejos, interesses, buscando “primeiro o reino de Deus e sua justiça” (Mateus 6:33).

Já pertences a este reino? És submisso ao Rei?

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