27/09/2013

Apesar da Oposição


No capítulo 4 do livro de Neemias, lemos sobre a oposição, liderada por Sambalate, contra a reconstrução dos muros de Jerusalém. O que começou por ser escárnio, desprezo e ridicularização escalou para uma forma organizada de agressão militar, orquestrada entre várias nações inimigas, com o propósito de aniquilar os Judeus que trabalhavam e frustrar todo o projeto. A reação do povo sob a liderança de Neemias é exemplar.
Em primeiro lugar, precisamos ter a consciência de que, sempre que decidimos obedecer a Deus e escolher ser mais conformes à Sua vontade para nós, necessariamente, surgirá algum tipo de oposição. Por vezes, são pessoas que, frontalmente, nos desmoralizam e desencorajam. Mas é frequente a oposição ter outras caras. É uma distração que surge, uma tentação que chega, um velho pecado que se reacende, uma circunstância adversa que nos surpreende, uma oportunidade “melhor” que se nos é apresentada… A realidade é que os poderes das trevas recorrem a todo o arsenal necessário, para nos demover, dissuadir e impedir de fazer a vontade de Deus. É nossa responsabilidade ter a consciência dessa batalha espiritual constante e estabelecer a devida defesa.
Nos versículos 4 e 5, Neemias pede que Deus retribua, aos seus inimigos, todo o mal que eles próprios desejavam e arquitetavam contra o povo de Deus. Este episódio não nos dá permissão para desejar o mal aos nossos inimigos, uma vez que esse ensino seria contrário aos ensinamentos de Jesus. O que este texto deve fazer é obrigar-nos a identificar corretamente quem são os nossos inimigos. Na carta aos Efésios, Paulo deixa claro que a nossa batalha não é contra a “carne e o sangue”, querendo dizer que não lutamos contra as outras pessoas. Em vez disso, batalhamos contra os poderes das trevas. E, contra esses, sim, devemos pedir que Deus frustre os seus intentos, desfaça as suas obras e lhes retribua em conformidade com a Sua justiça! A realidade é que toda a oposição causa danos. No versículo 10, lemos que os trabalhadores começavam a ficar cansados, o que era perfeitamente natural por força da dureza da obra. Mas, além disso, o desânimo e a falta de fé pareciam também querer instalar-se. Os escombros pareciam-lhes cada vez maiores e já não acreditavam que conseguissem reconstruir o muro a tempo de se defenderem do ataque. Quando assumimos uma obra, mesmo em obediência à vontade de Deus, é inevitável o acumular do cansaço. O inimigo das nossas almas irá opor-se. Se assim o permitirmos, o desânimo poderá instalar-se e enfraquecer a nossa fé e convicção.
Perante esta oposição, o versículo 9 sintetiza o padrão para a nossa defesa: “Nós, porém, oramos ao nosso Deus, e pusemos guarda contra eles de dia e de noite.” Primeiro, há que recorrer a Deus, reconhecendo que é Ele quem dá a vitória. E, a par da oração, devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para montar a mais sólida defesa contra as investidas do mal. Isto é ORAR e VIGIAR. Para aplicarmos este ensino à nossa vida recorremos novamente à carta de Paulo aos Efésios, na qual é registada a armadura completa do cristão. Em Efésios 6:13-19, encontramos a oração, a salvação e a própria palavra de Deus, entre outras, como recursos fundamentais para a nossa batalha espiritual. É a este arsenal que devemos recorrer, para enfrentar a oposição, porque é no domínio espiritual que a verdadeira batalha é travada. No versículo 13, Neemias informa que organizou a defesa, por famílias, junto aos lugares mais baixos do muro, onde o acesso estaria facilitado. Na nossa vida não é diferente. Devemos redobrar a nossa atenção e defesa, particularmente, nos nossos pontos mais fracos e áreas de fragilidade. O nosso inimigo conhece-nos bem, conhece as nossas vulnerabilidades, e é exatamente nesses pontos que o seu ataque será melhor sucedido, se não tomarmos as devidas cautelas. Precisamos examinar a nossa vida cuidadosamente, como Neemias fez, no início do versículo 14, e identificar com clareza as nossas vulnerabilidades. Será algum pecado em particular? Talvez alguma obsessão? Alguma tendência que nos é inata? Somos mais facilmente tentados para mentir? Será para roubar? Ou para falar mal dos outros? Colocar guardas, com as armas espirituais, na nossa vida será determinante, para resistir à oposição com sucesso.
No versículo 20, Neemias descreve mais uma estratégia de defesa. Porque a obra era colossal e grande a distância entre os edificadores, ao primeiro sinal de perigo, deveriam soar uma trombeta para que todos se juntassem e lutassem em conjunto. Encontramos aqui um conceito embrionário de igreja: juntos, somos mais fortes. O perigo não é pretexto para fugirmos e nos isolarmos, mas para nos congregarmos e, então… Deus lutará por nós!
O versículo 15 apresenta-nos o resultado da estratégia de Neemias diante da oposição: “Quando os nossos inimigos souberam que nós tínhamos sido avisados, e que Deus tinha dissipado o conselho deles, todos voltamos ao muro, cada um para a sua obra.” Neemias diz que o desígnio dos opositores havia sido frustrado e reconhece que o mérito deveria ser atribuído a Deus. Deus havia frustrado os seus intentos. Não tinha sido mérito do povo de Deus, não tinha sido a sua capacidade e armas, nem o seu bem delineado posicionamento estratégico. Todo o mérito era de Deus, a batalha era Sua e a vitória também. E, dessa forma, era possível voltar à obra. Ainda que com cautelas de vigilância, a obra continuou. Quando reconhecemos que é Deus quem luta as nossas batalhas e nos dá a vitória, podemos prosseguir confiadamente, na concretização dos nossos compromissos de obediência à Sua vontade. Todavia, vigilantes!

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