07/12/2012

Deus eterno

Dizer que Deus é eterno é muito mais do que dizer que nunca teve início e nunca terá fim.
A Bíblia mostra que fomos criados por Deus e que existiremos para sempre. Na presença de Deus ou distantes dele, a nossa existência prolongar-se-á por toda a eternidade após a nossa morte física. Somos, portanto, infinitos. Tivemos um início e não teremos fim. Com Deus é diferente, a sua existência nunca se iniciou e nunca terminará. Mas, não é só isso…
A nossa existência decorre dentro da linha temporal. Ou seja, estamos limitados pelo tempo. Não conseguimos viver mais depressa, nem mais devagar do que os demais. Não conseguimos nos movimentar no tempo, nem para o passado, nem para o futuro. E, mesmo que o conseguíssemos, ainda assim, o tempo seria uma limitação própria da nossa existência. A nossa vida decorre de acordo com a sequência cronológica dos seus vários eventos e momentos. Deus, por outro lado, não está limitado ao tempo nem a qualquer sequência cronológica. Bem vistas as coisas e, embora não exista nenhum texto bíblico que o afirme especificamente, é legítimo afirmar que, tal como criou todas as coisas, Deus também criou o tempo. Por isso, antes da criação, o tempo não existia. Deus não estava – nem está! – limitado ao passar do tempo.
A nossa vivência limitada pelo tempo – mais do que somos capazes de imaginar – condiciona a nossa perceção da realidade. É por isso que, ao revelar-se a nós através das Escrituras, o Espírito Santo de Deus guiou os escritores a empregarem termos que fôssemos capazes de assimilar, ilustrando realidades divinas para nós inconcebíveis. Por exemplo, algumas expressões bíblicas parecem dar a entender que Deus sabia de alguma coisa “antes” de ela acontecer (ex: I Pedro 1:2); outras vezes a Bíblia descreve Deus como “arrependido” de alguma coisa que fez, como se tivesse sido surpreendido pelos seus resultados (ex: Génesis 6:6); vemos, também, ações de Deus projetadas para o futuro, em que Ele “fará” alguma coisa (ex: I Tessalonicenses 5:2). Estas representações resultam do esforço de comunicar em termos temporais – humanamente compreensíveis – as ações e desígnios intemporais de um Deus ETERNO.
Na verdade, para Deus, não existe antes nem depois, porque Ele é eterno e, como mais um elemento da sua criação, simplesmente, tem todo o tempo nas Suas mãos. Para Deus, o tempo não passa, porque Ele não está dentro da linha cronológica em que nós estamos. Pedro expressou isto mesmo ao dizer que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (II Pedro 3:8). Diríamos que a sua eternidade é extratemporal, existindo para além da nossa limitação cronológica.
Todos os Seus decretos e propósitos são determinados eternamente, "segundo o eterno propósito" (Efésios 3:11). Deus não vai tomando decisões conforme o tempo passa ou conforme os eventos se vão desenrolando. A Sua eternidade e o Seu conhecimento perfeito de tudo permitem que todos os Seus propósitos tenham sido definidos eternamente. Deus não criou o universo material que nós conhecemos depois de passar muito tempo da sua existência, como se, ao fim de uma eternidade de aborrecimento, tivesse tido uma ideia luminosa! Nós, por outro lado, podemos tentar imaginar um longo intervalo de tempo anterior à criação e um tempo futuro que nunca vai acabar. Mas, conceber uma eternidade anterior ou, melhor, exterior à nossa existência, onde não existia tempo, é um exercício que foge às nossas capacidades intelectuais.
Mesmo depois de que tudo foi criado, Deus não se limitou ao tempo. Neste preciso momento, a Sua existência é eterna e extratemporal. Momentaneamente, porém, Deus assumiu a limitação do tempo, na pessoa de Jesus, durante os 33 anos em que caminhou na Terra como um de nós.
Se o próprio Deus se sujeitou a tal condição, fê-lo porque nos criou para algo mais do que a servidão ao tempo e seus efeitos: "também pôs na mente do homem a ideia da eternidade" (Eclesiastes 3:11). Assim, ao longo das Escrituras, Deus revela-nos alguns lampejos desta eternidade de que goza. Por exemplo, em Efésios 2:6, Paulo explica que Deus "nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus". Quando consideramos o tempo verbal no passado, apercebemo-nos do quão extraordinário é este conceito. O texto não se limita a falar de alguma coisa que irá acontecer como se já tivesse acontecido. A realidade é que, do ponto de vista divino, e uma vez que Ele não está dependente de qualquer limitação temporal, nós já estamos, de facto, com Deus. Na nossa perspetiva, ainda temos de aguardar o tempo necessário para lá chegarmos, mas, do ponto de vista de Deus, já estamos lá, com Ele, na Sua presença eterna!
Tudo isto, "em Cristo", garantido mediante o Seu sacrifício por nós na cruz. Esta humilhação extrema vivida pelo nosso Salvador e celebrada na quadra natalícia que se aproxima deve compelir cada crente a uma renovada consagração e dedicação ao Senhor da Eternidade!
Não há como considerar a eternidade de Deus e ficar indiferente. A nossa pequenez, fragilidade e efemeridade são por demais esmagadoras. Não fosse a presença do Deus eterno na vida de todo o que se arrepende e crê em Jesus Cristo, tornando-nos participantes da Sua própria natureza e garantindo a nossa eterna comunhão com Ele próprio, e seríamos tomados pelo mais absoluto desespero. Glória para sempre ao Deus Eterno!

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