03/06/2012

Contra factos...

A questão teológica sobre se Jesus seria ou não o enviado de Deus, acalorou o debate entre os fariseus, naquele dia. Um alegado ex-cego dizia que este homem o tinha curado milagrosamente e agora, o importante era descobrir se esta era uma obra que revelava que Jesus era o Messias ou se, por ter sido realizada num Sábado, este era simplesmente mais um "homem pecador". Sim, porque realizar intervenções médicas no dia do Senhor era uma clara violação das regras religiosas estabelecidas.

Foi imediata a mudança do assunto "este homem foi curado de forma inexplicável" para "o Sábado foi violado"! A discussão sobre o processo e respetivas circunstâncias e formalismos elevou-se rapidamente acima dos factos . Não era importante se uma pessoa que não via desde nascença agora via, mas sim se a forma como tal tinha acontecido contrariava ou ofendia o status quo defendido pelos líderes religiosos.

É provável até que Jesus fizesse questão de realizar este milagre, com o "trabalho" de fazer lodo com a sua saliva e untar os olhos daquele cego, propositadamente num Sábado, para mostrar a sua autoridade sobre o Sábado. Jesus não estava limitado ao legalismo dos fariseus. Ele era a Autoridade incarnada!

Os fariseus são, neste episódio (e noutros), o paradigma da forma como permitimos que a nossa religiosidade se sobreponha às transformações milagrosas que Deus está a fazer e quer fazer na vida das pessoas. É angustiante quando, mesmo com as melhores intenções, somos um tropeço para a ação de Deus e para a Sua intervenção redentora. Quantas pessoas poderão já ter sido marginalizadas, oprimidas e violentadas, em prol das nossas observâncias religiosas legalistas?

Curiosamente, a nota de maior clarividência neste episódio, que lemos no nono capítulo do evangelho de João, é dada por aquele que, até àquele momento, tinha sido cego: "Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo." João 9:25. Contra factos não há argumentos!

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